quarta-feira, agosto 20, 2008

Eu me perdi, entre uma mão e outra entre um cheiro e outro. Me perdi entre umas promessas e uns sonhos, desses, que só as mulheres tem. Entre cigarros fumados e não fumados, goles forçados, noites vazias e completas. Eu me perdi porque a felicidade não estava lá. Nem lá. Nem lá. Eu me perdi entre uma lágrima idiota e outra desesperada. Me perdi numa manhã preguiçosa, num abraço desses que me faz sentir tão bem. Eu me perdi entre tantos livros não lidos e projetos não realizados. Me perdi entre projetos abortados, baseados em sonhos alheios, baseados. Me perdi enquanto achava que a vida podia não ser só ruim ou quando soube que não seria só boa. Me perdi quando descobri o fim das coisas. E era tão apegada a elas, coisas, pessoas, pessoas, pessoas. Tão apegada a tudo que tinha, ao que queria ter, ao que nunca teria. Tão preocupada em não parecer o que sou, simplesmente porque mostrar o que sou é obrigatoriamente ter que assumir o que sou, admitir o que sou. Ser. Eu me perdi tentando não ser eu. E quando finalmente descobri o que eu era. Me perdi.